segunda-feira, 17 de maio de 2010

VIDAS

Ofertados para a vida, por pais que sonharam entregar-nos chaves de um qualquer céu, damos connosco pontapeando obstáculos, entremeados de felicidades que de tão fugazes quase temos medo de vivê-las.

Vamos andando fazendo amigos, engordando laços familiares, desconfiando que um dia partirão, não os podendo segurar como se agarra um filho num colo apertado.

Caminhamos direitos, convictos de razões gritadas a ouvidos entupidos, indiferentes, alheados, surdos para aquilo em que acreditamos.

Amparamos amores, retardando o dia inevitável de fazer das paixões momentos suportados, lembranças sem regresso.

E, chegados a uma idade depois de ter deixado para trás outras duas, fazemos o balanço de uma vida, que por certo não foi sonhada por pais querendo para os filhos o que só deuses, se existissem, nos dariam.

E, chegados ao fim terá valido a pena.
O Mundo terá dado um salto mais.

(Para a tia Amélia com um beijo de filho desnaturado)

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